RE.TEMPO 

*Retempo | Origem: De re + tempo 

 

1. Ocasião propícia

2. Grande oportunidade

 

Desde que comecei a pesquisar sobre uma vida mais consciente, o nosso símbolo atemporal sempre me chamou uma atenção a mais, especialmente por conta de um antigo projeto, o minimalize. E como atualmente nossa proposta com o Review é fortalecer os laços com as abordagens de maior sintonia, das de sempre às que foram se revelando, sigo me encantando particularmente com essa palavra e sua potência, seus potenciais.

 

O quanto é marcante algo que não se dilui com o passar do tempo, que permanece vívido, valorizado em equilíbrio, livre dos altos e baixos dos modismos. Algo essencial em sua presença, sua força, suas raízes que crescem a seu tempo e com consistência, continuidade.

 

Atemporal em valores, saberes e tradições, que mantemos, resgatamos ou ainda aprimoramos, porém buscando não abalar sua essência. Valores que independem da época vivida, como ao entrarmos em contato com os ensinamentos de filósofos que viveram em séculos, e até milênios atrás, destacando humanidades até hoje tão essenciais aos nossos dias, ao nosso ser, ao conviver.

 

Também conhecido como intemporal, reacendo minhas raízes na moda ao aborda-lo igualmente em nossas escolhas com relação ao vestir. Transitar no tempo sem necessariamente pertencer ao passado, futuro ou presente, ou pertencendo a todos através do que se tornou um clássico, do que se mantém durável, combinável, básico – no sentido de ser a base de algo, de ser fundamental. Uma moda que vai além, que re.visita tempos e reúne momentos.

 

Daí a palavra que conheci há pouco, retempo, agregando o olhar para o atemporal como um convite propício a se usufruir a moda de maneira menos excessiva e retomando uma das bases primordiais que abordamos com o slow living, o menos e melhor. Um olhar e prática a um estilo mais introvertido, uma conexão mais profunda consigo mesm@ através da relevância de menos estímulos externos e mais enfoques internos. A calma de se satisfazer com uma solidez que é nutrida pela aura, pela história do que se caracteriza como clássico, além de uma cuidadosa praticidade, de um tempo e energia a mais que o vestir atemporal proporciona.

 

Uma moda que se sustenta e se expressa através da suficiência, que incentiva novas formas de se consumir e de exteriorizar o viés criativo; de se acalmar o insaciável desejo pelo novo, pelo “não repetível”; e também pela elegância, não necessariamente no sentido que nos é conhecido da palavra - mesmo que em um ponto de vista que me é particular, o belo esteja intimamente ligado ao que se mantém mais puro, mais leve e livre de muitos elementos. Aqui me refiro ao **latim eligere, que significa escolher e que originou a palavra elegans, inicialmente indicando uma pessoa exigente em suas escolhas, que não aceita facilmente tudo o que lhe apresentam. Depois ela passou a indicar “escolhas bem feitas”, transcendendo aspectos materiais e se firmando em uma conduta pessoal.

 

E qual seria um momento mais propício para fortalecermos o atemporal, na estrutura benéfica do que é duradouro, em nós e à nossa volta, que durante essa modernidade líquida tão claramente descrita pelo sociólogo Zygmunt Bauman, ao qual estamos tod@s inseridos? Uma época em que nos aproximamos, ou até mesmo extrapolamos, através dos passos acelerados que se tornaram via de regra, a todo tipo de limites: pessoais, sociais, ambientais...

 

Re.tempo é um convite a refletirmos e agirmos junt@s re.lembrando esses valores simples, acessíveis, significativos. É sobre seguirmos fortalecendo um tempo natural que habita em nós, um tempo humano, tempo dos ciclos da Terra/terra, tempos ancestrais que habitam e se equilibram inseridos nas atuais e constantes transformações, por meio de nós mesm@s e nossas escolhas, nossa presença, no agora. Um sentido de tempo que independe dos cronômetros da fluidez das mudanças, e igualmente dos incentivos externos que nos desconectam do imperfeito e esplêndido que somos, e sempre seremos, e onde a busca incansável por mais, pelo vazio do acúmulo, a qualquer custo, não encontra (mais) sentido.

"A alma do homem é imortal e imperecível." - Platão

Acompanhe o re.tempo aqui.

* Fonte: infopedia.pt

** Fonte: origemdapalavra.com.br