7 Soluções Para um Dia a Dia Mais Leve, Inspiradas em Nossa Vivência Nômade/Minimalista | Parte 2

(Re) leia aqui a parte 1

Como eu ia dizendo, se tem algo que segue me fascinando e trazendo benefícios e significado é priorizar o olhar para o que considero essencial, e tem sido incrível aplicar isso na rotina. 

 

Lembrando que, por mais que uma “vida minimalista” (em aspas para não virar um rótulo, e sim uma inspiração) ajude a apurar o olhar para aplicar essa leveza em qualquer casa e dia a dia, é sempre você, claro, quem decide o quanto é suficiente, essencial, através da prática no cotidiano. Sempre gosto de enfatizar esse caminho como algo pessoal, em que motivamos uns aos outros criando nossas próprias facilidades e resoluções: duradouras, imperfeitas e abertas a melhorias.

Foto do closet de uma casa que moramos por um mês em Cumbuco, próximo a Fortaleza/CE, onde foi tão prático organizar tudo com espaço de sobra. Hoje já fiz algumas alterações, especialmente com relação ao clima.

. Roupas
 

Quando nos mudamos para o apartamento atual adoramos especialmente ele ser mais claro e compacto do que o de antes de viajar. Um detalhe não agradou, à primeira vista: não ter armários embutidos no quartos, já que antes tínhamos um para cada, espaço de sobra que, não nego, trazia conforto em seu espaço a mais. E como investir em grandes móveis não faz parte dos nossos planos, a solução veio em sintonia com outra experiência anterior: uma pequena arara, para cada, num tamanho ideal para nossas roupas e os sapatos na prateleira debaixo.

 

Com relação aos acessórios, comprei uma bolsa de palha no nordeste - feita por artesãos de uma associação que visitamos - mais firme, que estragou a alça e tirei deixando-a então como uma caixa para brincos, anéis, óculos e afins. Além de ter ficado lindo no quarto, me traz a afetividade das boas lembranças. 

E não poderia não deixar a sugestão de uma olhada regular, e detalhada, em suas peças. No início do ano doei alguns itens que estavam mais gastos – como leggings, camisetas e meias de correr - ou não servindo bem, mais, como uma calça jeans e um vestido (ainda na abordagem esportiva, emagreci um pouco por ter trocado as caminhadas pela corrida, uma troca valiosa e incentivada pela Cynthia, querida participante da nossa comunidade).

 

E um movimento simples que pode ajudar a clarear o que é realmente essencial para você em seu armário: vire todos os cabides para o mesmo lado. A cada roupa que usar, desvire. Depois de um mês (ou o tempo que achar viável para sentir o movimento das peças no dia a dia), analise com calma. Dos cabides que não foram desvirados, essas peças que ficaram paradas, há algum motivo especial para ficarem? Ex: é uma roupa de festa, usada em poucas ocasiões. E as outras? Será que você enjoou, ou ela não combina bem com as outras, ou você não se sente “o seu melhor” com elas? Buscando desapegar, aos poucos, do pensamento “um dia eu uso”, deixar essas peças circularem em outro armário e liberar espaço segue uma escolha transformadora em qualquer época do ano.

. Roupas de Cama

 

Voltando um pouco nas roupas, com as araras substituímos os armários, mas e as roupas de cama e afins?

 

Temos uma mesa de cabeceira com gavetas espaçosas onde guardamos peças íntimas, meias e pijamas.

 

No início achamos até inusitado, mas colocamos em prática e funcionou bem. Como multifuncionalidades nos ganham, um simples e acessível "puff-baú" guarda nossas roupas de cama (é mais espaçoso do que parece) e compõe o segundo quarto, que virou um home office/mini estúdio. E como viajando levávamos menos peças, dessa vez foi o contrário, compramos algumas e ganhamos outras da minha sogra e avó (um clássico, rs).

 

Já pensou se algo multifuncional pode simplificar o seu dia a dia? Essa é uma das características que adoro conferir nos projetos das tiny houses (tem uma matéria sobre elas no guia slow três, que você pode ler aqui) é como a maioria dos espaços e itens servem a mais de um propósito, gerando mais uso. Dizem que irão se fortalecer futuramente, e uma dessas com rodas continua nos soando atrativo! E claro, é uma inspiração apenas e não a indicação de um jeito certo ou melhor de se viver para todos.

. Papéis, documentos, livros e eletrônicos menos usados

Quando me lembro dos desapegos de papéis guardados que já fiz na vida, as sacolas enormes para descartar/reciclar, nem acredito que hoje eles cabem em um espaço tão equilibrado de poucos envelopes. A solução foi básica: guardar apenas os incrivelmente necessários. Contas vencidas há muitos anos, apostilas de cursos que não significam tanto - ou que percebi que não vou mais ler, agendas e revistas antigas se foram. Colecionei revistas por muitos anos, desde a adolescência, mas percebi que a utilidade que elas me traziam - cada dia mais raro ler alguma - era bem menor que o espaço que ocupavam, o tempo e energia para limpar. Ainda assim apoio coleções, seja do que for, se trouxerem um significado real. Como minhas fotos antigas de papel e algumas cartas e bilhetes mais afetivos.

 

Assim como no caso das roupas de cama, esses itens ficam em outro puff-baú. Os livros mais queridos ficam na prateleira, bem menos do que gostaria. Prefiro mil vezes o papel mas a conveniência dos digitais fala mais alto, na maior parte dos casos. Inclusive, um serviço interessante da Amazon é o "netflix de ebooks", baseada nessa economia compartilhada que favorece o uso e não a posse.

 

Com os eletrônicos, a mesma coisa. Pilhas, celulares, equipamentos, fios, cabos, tudo o que não está em uso há tempos ou até sem funcionar - e que normalmente vão pro fundo de alguma gaveta - merecem ir para um lugar adequado de coleta. Supermercados e farmácias maiores costumam ter esse serviço.

. Beleza

E finalizo essa conferida detalhada dos primeiros dias do ano com o banheiro. Impressionante como reduzi a quantidade de cosméticos, tanto pela busca por mais naturais, por não usar mais tanta maquiagem e por ela de novo, a multifuncionalidade, também caber aqui.

 

Sigo escolhendo e experimentando produtos orgânicos quando possível e ainda uso os “convencionais” às vezes, mas meus favoritos são os ingredientes que vão da cozinha para o corpo, como o óleo de coco (em quase todo supermercado e loja de produtos naturais) e a argila (loja de produtos naturais e de coisas a granel), que me acompanham sempre. A babosa (do quintal da minha sogra, mas já vi em alguns sacolões e mercado central) entra sempre que possível, revezando com o óleo para hidratar o cabelo e somando com a argila como máscara para o rosto.

 

Com esses dois posts compartilho um pouco da minha vivência, experimentando na prática mais atenção, mais foco nos essenciais, para seguir sem acumular. E vendo no desapego um caminho inspirador por mais leveza e tantos outros benefícios que vêm dela. Um caminho para os movimentos aos quais me sinto sintonizada.

 

E tanto para mim quanto para o planeta, acredito, porque por mais que sigam evoluindo, felizmente, as inovações sustentáveis, nada adianta se não fizermos a nossa parte em reduzir o volume do nosso consumo (muitas vezes guiados por impulsos inconscientes, sabemos bem).

 

Mas sempre com equilíbrio. Como gosto de dizer, mais vale um número maior de pessoas praticando essa leveza de maneira harmoniosa e imperfeita, com seus altos e baixos, mais durabilidade e consistência. Acredito na transformação com o pé no chão da realidade, para não transformar em peso e negatividade um caminho que tem como propósito maior nos (re)conectar com nossa essência humana: cuidadosa, leve, amorosa, holística e empática - a seu tempo, assim como a (nossa) natureza e seus ciclos.

 

Como sempre, suas vivências, aprendizados, dúvidas e sugestões são bem vindos. Até a próxima!

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